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sábado, 31 de março de 2007

Para Celso Amorim, mundo ficará pior se Rodada Doha fracassar

Washington (EUA) - O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, recebe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua chegada aos Estados Unidos para encontro com o norte-americano George W. Bush

Washington (EUA) - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse há pouco que se a Rodada Doha fracassar, o mundo ficará pior. A rodada da Organização Mundial de Comércio (OMC), que prevê abertura de mercados, será discutida pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, George W. Bush, em encontro marcado para 15h10 (de Brasília) em Camp David, residência oficial do governo norte-americano.

“O Brasil sobreviverá, todos sobreviverão. Mas acho que num nível pior de bem-estar, com impacto em pobreza, imigração e criminalidade. Não se trata de salvar [o mundo], mas de melhorar. A rodada pode ajudar a melhorar”, afirmou Amorim.

Segundo o ministro, não há como a exportação de produtos dos países mais pobres competir com os subsídios agrícolas que os produtores dos países mais ricos, como Estados Unidos e União Européia, recebem de seus governos.

“Você acha que o caroço de algodão de Burkina Faso vai [conseguir] competir com a canola da União Européia e o milho dos Estados Unidos, se os subsídios continuarem no nível em que estão?”, questionou Amorim.

Lula vai deixar em breve a Blair House, casa de hóspedes da Presidência dos Estados Unidos, para se encontrar com Bush.

Conclusão da Rodada de Doha depende da maioria na Europa, diz presidente alemão

Brasília - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, fala à imprensa após café da manhã com o presidente alemão, Horst Köhler
Brasília - O presidente da Alemanha, Horst Köhler, disse hoje (8) que seu país é favorável à conclusão das negociações de livre comércio da Rodada de Doha, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas ponderou que na Europa, a maioria é quem decide.

A informação é do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, que tomou café da manhã com Köhler e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no hotel Blue Tree Park, em Brasília.

Ao término do encontro, Meirelles evitou os jornalistas, mas Furlan serviu de porta-voz da conversa que, segundo ele, “foi um bom aquecimento” para a reunião do alemão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também hoje.

Furlan disse que Köhler conhece bem os números da economia brasileira desde que foi diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o ministro, o visitante “veio ver a realidade brasileira, de recuperação industrial, e também entender esse momento em que o país tem bons números na macroeconomia, mas com crescimento abaixo do esperado”. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,9% no ano passado.

De acordo com Furlan, a conversa envolveu questões sociais e criação de emprego, investimentos, desoneração fiscal e biocombustíveis, além da Rodada de Doha, em que países agroexportadores como o Brasil tentam reduzir subsídios dos países desenvolvidos para ampliar o acesso a seus mercados.

O presidente alemão afirmou ser favorável à conclusão, embora seu país tenha limitações de ordem comercial. Ele alegou que uma organização como a União Européia, com 27 países, “deve se pautar pela orientação dada pela maioria”.
Subsídio agrícola concedido pelos Estados Unidos é "nefasto
ao livre comércio", diz Lula

8 de Março de 2007 -

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou hoje (8) de "nefastos ao livre comércio" os subsídios agrícolas concedidos pelo governo dos Estados Unidos. Lula encontra-se amanhã (9), em São Paulo, com o presidente norte-americano, George W. Bush, e a questão dos subsídios agrícolas deverá ser um dos assuntos em pauta.
Depois de receber, no Palácio do Planalto, o presidente da Alemanha, Horst Köhler, o presidente Lula pediu que a União Européia facilite o acesso dos produtos agrícolas de países pobres ao mercado europeu. A Alemanha preside atualmente a União Européia.
Na opinião de Lula, é preciso acabar com os subsídios para destravar as negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que estão travadas desde julho do ano passado.
“O que nós queremos? Que a União Européia flexibilize o acesso ao mercado agrícola para os países mais pobres. E nem falo do Brasil porque, em se tratando de agricultura, o Brasil é muito competitivo. O que nós queremos é que os Estados Unidos possam diminuir os subsídios, tão importantes para os agricultores americanos, mas tão nefastos ao livre comércio que tanto apregoamos”, afirmou Lula, em declaração à imprensa, depois do encontro com Köhler.
“Da parte do Brasil e do G 20 [grupo dos países em desenvolvimento], nós estamos dispostos – se levarmos em conta a proporcionalidade em função do tamanho de cada país, da situação econômica da cada país – a flexibilizar nos produtos industriais e nos serviços, para que possa haver acordo. Eu penso que a Alemanha joga um papel extraordinário, não só porque preside, mas porque a Alemanha é um país de muita força política na Europa”, completou.
Lula disse que espera, nas próximas quatro ou cinco semanas, anunciar “ao mundo que finalmente os países mais pobres terão uma chance de se desenvolver”. Ele voltou a afirmar que a Rodada Doha só será destravada se houver decisão política dos chefes de Estado envolvidos na questão.
Köhler afirmou que é prioridade do governo alemão avançar nas negociações. “É preciso emitir um sinal de confiança no sentido de que a comunidade internacional é capaz de cooperar”, enfatizou Köhler. “Estou otimista que vamos conseguir levar essas negociações a um bom termo”, disse ele.
"Não vamos só levar a sério da voz do Brasil, mas tirar conclusões comuns de uma globalização com rosto humano.
O presidente alemão reconheceu que a Rodada Doha é uma oportunidade chave para combater a pobreza mundial.
Lula convida empresários alemães a investir
em energia e infra-estrutura no Brasil
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou empresários alemães a investirem nos projetos de energia e infra-estrutura previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“Quero convidar os homens de negócios alemães a investirem no PAC, com sua reconhecida competência nos setores de infra-estrutura e energia”, afirmou Lula, depois de receber, no Palácio do Planalto, o presidente da Alemanha, Horst Köhler.

Segundo Lula, os alemães, que investem US$ 9 bilhões no Brasil, são o sexto maior investidor estrangeiro no país. Além disso, 1.200 empresas alemães têm filial em território brasileiro e representam 8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a soma de todas as riquezas produzidas no país.

A Alemanha é o principal parceiro do Brasil no continente europeu. No ano passado, o comércio bilateral ultrapassou US$ 12 bilhões. Desse total, o Brasil exportou US$ 5,5 bilhões para o mercado alemão, e a Alemanha vendeu US$ 6,5 bilhões.

Lula e Köhler almoçam, neste momento, no Palácio do Itamaraty.

Países ricos precisam dar "passo para trás" para Rodada de Doha avançar, diz Romano Prodi

Brasília - O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, afirmou hoje (27) que os países mais ricos precisam recuar para que as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) sejam destravadas."É preciso que possamos trabalhar para irmos um passo para trás e tornar esse acordo possível.

A não-solução de Doha pode prejudicar o mundo e trair nossos objetivos políticos", disse, após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.A Rodada Doha foi interrompida em julho de 2006, devido divergências entre os membros da OMC sobre a derrubada gradual dos subsídios concedidos pelas nações ricas a seus agricultores.Em discurso nesta terça-feira, Lula pediu ao governo italiano que atue "na formulação de uma posição negociadora européia" para a conclusão de um acordo que ajude os países mais pobres."Temos de corrigir as injustiças de um modelo de liberalização comercial que ainda não trouxe benefícios tantas vezes prometidos para a maioria dos membros da OMC".

Sobre acordos bilaterais entre países, Prodi defendeu que eles "devem ser inseridos em um quadro de normas, porque se não, no futuro, poderão prejudicar países que estão fora deste âmbito [mercado internacional], como os africanos".Após o encontro, Lula e Prodi foram para almoço no Palácio do Itamaraty.